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estratégias emergenciais para a retomada das aulas e de ou-
tras atividades acadêmicas. Em grande parte, essas estraté-
gias envolveram o uso de tecnologias. Foi, então, que as des-
igualdades se tornaram ainda mais evidentes: desigualdades
de infraestrutura entre países e entre regiões de um mesmo
país, além das desigualdades entre estudantes quanto ao
acesso a equipamentos e a conexão à internet. Infelizmente,
essas desigualdades contribuíram para agravar o problema,
ao mesmo tempo em que tornaram visível o abismo tecnoló-
gico existente na sociedade mundial.
É nesse contexto que algumas reflexões podem ser
propostas envolvendo compromissos, mudanças e legados
das universidades no século XXI, sem a pretensão de esgotar
o tema.
Compromissos.
O compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sus-
tentável (ODS) deve orientar as políticas institucionais das
universidades para este século. A responsabilidade com a
educação como bem público social estratégico para uma so-
ciedade justa e igualitária, sem a qual não há possibilidade de
desenvolvimento inclusivo e sustentável, deve estar presente
nos compromissos institucionais. A educação vista como o ca-
minho para o desenvolvimento e redução de desigualdades.
O esforço para expandir o acesso à educação superior
deve ser outro compromisso das universidades. No Brasil, a
expansão do acesso está estabelecida como Meta 12 do Pla-
no Nacional de Educação (PNE), Lei Nº 13.005 (2014), para
elevar, em 10 anos, a taxa bruta de matrícula na educação su-
perior para 50% e a taxa líquida para 33% da população de 18
a 24 anos. Dados de 2020 do Instituto Nacional de Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira, o Inep (Inep, 2020), revelam a
necessidade de muito mais tempo para que as metas do PNE
possam ser atingidas.
Para isso, a autonomia universitária, associada a uma
política de financiamento da educação pública, precisa es-
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