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Num mundo estruturado, com já dizia Durkheim, na
                 diferenciação das formas de atuar profissionalmente e consi-
                 derando que uma profissão, ou fazer profissional é, necessa-
                 riamente, muito mais do que o domínio das competências téc-
                 nicas inerentes a esse fazer, é preciso que nos debrucemos
                 sobre o papel das universidades na formação valorativa, e éti-
                 ca que vá além dos juramentos de cada uma das profissões.
                 	 Apesar da significativa revolução que o salto trazido
                 pela rede mundial de computadores, a internet, sobre as per-
                 cepções políticas e valorativas, a experiência universitária (e
                 aqui incluo não apenas as salas de aula, naturalmente, mas
                 todo o processo de vivência universitária) ainda cumpre um
                 papel relevante na estruturação do que chamamos formação
                 cidadã.
                 	 Destaco que essa formação, necessariamente, oco-
                 rrerá, estejamos nós conscientes dela ou não. Esteja ela em
                 nosso currículo explícito ou oculto.
                 	 Cabe-nos refletir sobre os elementos estruturantes de
                 uma formação humana cidadã que não apenas veicule, mas
                 estruture em nós, nos homens e mulheres que tomam e to-
                 marão as decisões seja na esfera pública, seja na vida priva-
                 da.
                 	 Montesquieu, também na aurora da modernidade, já
                 nos alertava sobre a necessidade de coerência entre as ins-
                 tituições fiscais, militares, econômicas e educacionais, com
                 seus respectivos regimes políticos. Não se constrói nem se
                 sustenta um despotismo, dirá ele, se o medo não for inculca-
                 do através de todas as instituições. Da mesma forma, não se
                 sustenta uma república sem valores republicanos compartil-
                 hados e repassados às próximas gerações.
                 	 Já sabemos onde nos leva acreditar que vícios priva-
                 dos gerarão benefícios públicos. Cabe-nos como, instituições
                 estratégicas de educação, refletir agora sobre como pode-
                 mos contribuir para a defesa e a reprodução de concepções
                 e valores que são, como tanto apontam os clássicos como
                 os contemporâneos, a salvaguarda do sistema democrático

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