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atores hegemônicos, não querem que se diga.
                 	 Desde Bolonha, temos claro que a universidade pre-
                 cisa de autonomia para poder fazer aquilo que lhe é próprio:
                 produzir conhecimento que divirja e vá para além do senso
                 comum.
                 	 Sem a liberdade para pensar, pesquisar aquilo que di-
                 virja do estabelecido, a universidade não seria mais do que
                 uma reprodutora dos dogmas vigentes ou pior, uma agência
                 de propaganda de quem tem poder hegemônico.
                 	 A universidade precisa, sim, ser capaz de incomo-
                 dar, de questionar, de problematizar para poder cumprir seu
                 próprio papel.
                 	 Isso tem muito a ver com a preservação e o aperfeiçoa-
                 mento de um regime democrático dado que, formada por ou-
                 tros atores, funcionando a partir de outros pressupostos, e
                 falando de um outro lugar de poder, ela poderá servir como
                 genuíno freio e contrapeso aos interesses que pretendem
                 subverter as próprias bases do que chamamos democracia.
                 	 Para cumprir esse papel contra-hegemônico, a univer-
                 sidade (pública principalmente) precisa ser uma verdadeira
                 instituição de Estado, dotada de autonomia administrativa, fi-
                 nanceira e pedagógica.
                 	 Sem isso e dependente dos recursos e interesses dos
                 governantes de plantão ou do “mercado”, a universidade será,
                 na melhor das hipóteses, silenciada e, na pior, instrumentali-
                 zada como mais uma ferramenta de maximização de lucros e
                 reprodução do discurso dominante.
                 	 Para além disso a autonomia, embora condição neces-
                 sária, não é suficiente. É preciso que o próprio campo univer-
                 sitário seja disputado e seus valores constitutivos afirmados
                 continuamente. Como já se tornou lugar comum em nossa
                 bolha não é possível, em nome da tolerância, silenciar diante
                 de discursos intolerantes.

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