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mesmo de mecanismos constitucionais.
	 Não vou entrar nos detalhes das teses dessa impor-
tante obra. Quero apenas estabelecer que o século XXI nos
coloca diante de uma questão que, se não for enfrentada
adequadamente, pode subverter não apenas a forma como
escolhemos nossos representantes políticos, mas todo um
patrimônio civilizacional construído a duras penas e que abar-
ca temas que consideramos sagrados, tais como direitos hu-
manos, igualdade de gênero, superação das desigualdades
sociais, entre tantos outros.
	 E o que a universidade tem a ver com isso?
	 Gostaria de, resumidamente, apresentar duas ques-
tões que precisamos considerar se entendemos que a pre-
servação dos valores democráticos são efetivamente impor-
tantes para a construção de uma sociedade mais justa, mas
livre e mais solidária.

A universidade precisa ter um papel contra-hegemônico.

Praticamente todos os analistas da democracia contemporâ-
nea, de Rousseau aos Federalistas, convergem na intuitiva
ideia de que a construção de uma democracia que mereça
minimamente esse nome não pode estar restrita à sua di-
mensão eleitoral nem à ideia de que democracia se resume a
imposição da vontade da maioria.
	 Pelo contrário, uma democracia moderna precisa lidar
com a complexa equação que envolve vontade da maioria e
defesa dos direitos fundamentais das minorias.
	 Nesse sentido, entre outros, Alexis de Tocquevile alerta
para importância das universidades como elemento mitigador
do ele chamou de Despotismo democrático.
	 Para que a universidade seja capaz de atuar como
uma instituição contra-hegemônica ela precisa, entre outras
coisas, ser dotada de autonomia.
	 Ou seja, ela precisa ser capaz de dizer e defender aqui-
lo que governantes, mercado, grupos religiosos, entre outros

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